Especialista explica por que Copom deverá manter Selic alta em sua primeira reunião no Governo Temer 

copomconomia voltar a respirar, Banco Central precisa de mais independência e o governo não pode ceder às pressões políticas por verbas orçamentárias, afirma professor da Faculdade Santa Marcelina (FASM)

O coordenador do Curso de Ciências Contábeis da FASM, Reginaldo Gonçalves, salienta não ser surpresa a manutenção da Selic elevada, no patamar atual de 14.25% ao ano,  na primeira reunião do Copom realizada no governo do presidente interino Michel Temer. “Embora a recessão seja um fator de pressão para que tenhamos juros menores, a verdade é que o mercado ainda está inseguro quanto às medidas que o governo efetivamente adotará para combater o déficit fiscal e equilibrar as contas. Além disso, a inflação segue indomada”, pondera o professor.

Para Reginaldo Gonçalves, “a preocupação do Banco Central perdura com a inflação em patamar desfavorável, já que a meta de 4,5%, com viés de 2% para cima ou para baixo, continua longe de ser atingida”. De janeiro a maio, o IPCA-IBGE acumulado foi de 9,32%, lembra o professor, alertando: “Apesar de a inflação do período ter ficado abaixo de dois dígitos, continua a preocupação quanto ao cenário político. Mudou o governo, mas seguem as disputas por verbas no orçamento, e isso pode prejudicar a o processo de redução dos gastos públicos”.

Segundo Reginaldo Gonçalves, um dos cenários que poderá trazer mais segurança ao mercado interno e internacional é o forte indicativo de que o tripé macroeconômico possa voltar a ser uma das metas do novo presidente do Banco Central, IIan Goldfajn. Ou seja, o atendimento às metas de inflação, fiscais e câmbio flutuante. Para isso, porém, terá de haver liberdade para que o Banco Central possa atuar sem pressão política”.

Na análise do especialista, para economia voltar a respirar, o ideal é que o governo atue com transparência e menos intervenção política, com uma gestão coerente e séria nos preços administrados. “Atualmente, os acordos existentes para abrigar os aliados dos diversos partidos poderá gerar desgastes ainda mais significativos.  Essa questão precisa ser resolvida, pois o País não pode parar. É necessário retomar a criação de empregos e os investimentos”.

 

Pin It

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *